videopoemas
Luiza Romão, "Coquetel motolove"
O
próprio Augusto de Campos, em entrevista a Elson Froes, comenta a composição:
No fundo, há, inelutavelmente, a sombra de Mallarmé e seu Lance de
dados ("…exceto, talvez, uma constelação…"). Mas essa angústia ou inquietação
cósmica é ao mesmo tempo muito humana e muito da nossa época, palco de tantos
avanços na física e na cosmologia. Penso sempre nos poemas Pulsar e Quasar, de
1975, como mensagens numa garrafa cósmico-terrestre, à maneira daquela que foi
enviada ao espaço, um ano antes, em sinais de rádio, do Observatório de Arecibo, ou
daquela outra, que a sonda espacial Voyager levou, em 1977, num "disco
interestelar", à procura de um hipotético decifrador extraterreno. Não é essa uma boa
metáfora para a poesia, sempre em busca de "vida inteligente", "alienígenas
espertos", aqui mesmo na terra, e já agora no ciberespaço?
Poema de Augusto de Campos e Música de Caetano Veloso (1975)
Video realizado para la exposición de Augusto de Campos / Despoemas en Buenos Aires, 2014.
Inspirado no videoclip de Paulo Barreto de 1984.
O poema é solitário. É solitário e vai a caminho. Quem o escreve torna-se parte
integrante dele. Mas não se encontrará o poema, precisamente por isso, e portanto já
neste momento, na situação do encontro – no mistério do encontro? O poema quer ir
ao encontro de um Outro, precisa desse Outro, de um interlocutor. Procura-o e
oferece-se-lhe. Cada coisa, cada indivíduo é, para o poema que se dirige para o
Outro, figura desse Outro (CELAN, 1996, p. 57).
Lido como uma partitura, o poema é decodificado
numa melodia de três alturas correspondentes às letras: a nota mais grave em “o”, a mais
alta/aguda em “e” e uma intermediária para as sílabas com outras vogais. Ou seja: ao código
verbal corresponde uma base (nota intermediária), sobre a qual ocorrem variações, cada vez
que há a intervenção do icônico (FERRAZ, 2005, p. 6).
FONTE:
Yasmin Zandomenico e Wilberth Salgueiro: "Vocovisual no verbo: o “pulsar” de Augusto de Campos por Caetano
Veloso. Revista IPOTESI, Juiz de Fora, v.20, n.1, p. 62-74, jan./jun. 2016
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